Situação atual na Nigéria: Reformas econômicas e diversificação trazem otimismo aos nigerianos à medida que as eleições se aproximam

Thursday, February 10 2011

Joe Lamport

O trabalho do Centro da USAID para o Comércio cobre a diversidade da África Ocidental. Com esta série, o Tradewinds introduz uma nova série ocasional oferecendo informações e visões aprofundadas sobre cada país – um instantâneo sobre a situação atual.

Como consequência da crise financeira internacional de 2008, o Banco Central da Nigéria fez uma reforma do setor bancário do país – as investigações feitas por uma comissão de crimes financeiros levou, subsequentemente, à demissão de chefes executivos em oito bancos.

O serviço de limpeza do Banco Central não parou por aí: uma gama variada de intervenções ampliou o acesso ao crédito – bilhões de Nairas – a companhias nos principais setores, desde a manufatura, passando pela mineração, até chegar aos setores não tradicionais de exportação (os esforços do banco continuam). Estas mudanças drásticas abriram oportunidades para companhias como a ACET Nigéria, a qual processa castanhas de caju in natura, transformando-as em castanhas de caju prontas para exportação.

O setor do caju na Nigéria está se expandindo graças ao acesso melhorado ao fina
O setor do caju na Nigéria está se expandindo graças ao acesso melhorado ao financiamento.
“Os fundos de intervenção do Banco Central foram críticos para fomentar o crescimento econômico real”, disse Jide Anjorin, Diretor Executivo da companhia. “Para uma companhia como a minha, o acesso ao financiamento a uma taxa de juros de 7%, ao invés dos 21% cobrados pelos bancos comerciais, significa que estaremos de volta aos negócios em cerca de um mês”.

A companhia de Anjorin fica a cerca de uma hora de Lagos, a maior cidade da África Ocidental, lar de mais de 13 milhões de pessoas, no país mais populoso da África – uma estimativa de 155 milhões de habitantes em 2009, com a segunda maior economia do continente, depois da África do Sul.

Na fábrica, 350 trabalhadores – 280 dos quais são mulheres – quebrarão cerca de quatro toneladas de castanhas de caju in natura por dia quando as instalações da fábrica estiverem em operação; em sua capacidade total, ele disse, em algum momento no futuro, ela poderia processar até 12 toneladas por dia.

O acesso ao financiamento foi o principal obstáculo para a companhia, a qual foi inaugurada em 1999. Com a assistência da equipe financeira do Centro da USAID para o Comércio e a competência técnica da Aliança Africana do Caju, a ACET Nigéria fez parcerias com outras duas companhias de caju com o objetivo de obter o financiamento do qual necessitavam.

A chave foi a abordagem de financiamento de “grupo” – a parceria com outros processadores de caju, disse Anjorin.

O rejuvenescimento da companhia reflete a constante diversificação da economia nigeriana, a qual por anos era sinônima de um único produto de exportação: o petróleo bruto. Sem dúvidas, o petróleo continua a dominar a economia nigeriana e, à medida que o preço do barril sobe, passando dos US$ 100, a sua importância não pode ser ignorada. De 2000 a 2008, as receitas da Nigéria vindas de petróleo foram de cerca de US$ 1 trilhão.

Neste mesmo período, o país teve duas eleições nacionais para presidente. Quando o Presidente Umaru Yar’Adua faleceu enquanto estava no poder no ano passado, a transição foi tensa, mas, no fim das contas, não levou ao rompimento da ordem. Em abril, os nigerianos mais uma vez irão às urnas: as eleições para a assembleia nacional ocorrerão em 2 de abril e a eleição presidencial será realizada uma semana depois, em 9 de abril; as eleições estaduais e locais ocorrerão em 16 de abril.

“Esta é a principal distração do momento”, disse Anjorin. “Uma vez que elas tenham ocorrido sem grandes problemas, nós esperamos que as coisas se agilizem”.

Depois das eleições, os especialistas esperam que as reformas econômicas do governo continuem a impulsionar as atividades econômicas. Os economistas aplaudiram as reformas e dão parte dos créditos a elas na ajuda para a diversificação da economia da Nigéria.

“Os recursos naturais são responsáveis por somente 35 por cento do crescimento da Nigéria desde 2000 e a manufatura e os serviços estão crescendo rapidamente”, mencionaram os consultores da McKinsey em um relatório de 2010. O relatório percebeu expansões promissoras parecidas nos setores bancário e de telecomunicações, também graças às reformas. Uma das chaves, declaram os consultores, foi o investimento em infraestrutura.

Os bancos da Nigéria estão fazendo parcerias com as empresas de telecomunicações
Os bancos da Nigéria estão fazendo parcerias com as empresas de telecomunicações para oferecer serviços de dinheiro móvel.
A assistência aos exportadores não tradicionais é um dos pontos críticos para alcançar uma ampla diversidade. Um Centro Avançado de Recursos do AGOA, localizado junto ao Banco da Indústria em Lagos, oferece informações e conecta empreendedores à assistência técnica. É uma colaboração entre o Centro da USAID para o Comércio e o banco.

Ainda assim, há um bom caminho para ser trilhado: a Nigéria está na 137ª posição na pesquisa Fazendo Negócios do Banco Mundial e na 127ª posição no Índice Internacional de Competitividade, compilado pelo Fórum Econômico Mundial.

Uma pesquisa de opinião feita pelo Instituto Republicano Internacional mostrou que a corrupção está entre as principais preocupações na lista dos nigerianos (16 por cento citaram-na), seguida pelo desemprego (15 por cento); a falta de eletricidade (21 por cento) foi identificada como a questão número um da lista local de preocupações.

Anjorin disse que o governo fez progressos nestas questões, especialmente na área da eletricidade.

“Para nós, a companhia de eletricidade estatal é a nossa reserva - o nosso gerador é nosso fornecedor principal", ele disse. “Isto faz aumentar em muito o custo da produção. Constantemente dependemos do gerador e isto não é bom para o último elo da corrente”.

O governo reuniu elementos-chave com o objetivo de desenvolver um plano estratégico para expandir a rede elétrica – e abordar outras áreas de interesse estratégico para tornar o país uma das 20 maiores economias do mundo em 2020. O plano, delineado no “Visão Nigéria 20: 2020”, atraiu investimentos estrangeiros e colocou o país no caminho certo. Abordagens similares no setor aéreo e na agricultura também estão causando impactos significativos.

Em novembro, a United Airlines introduziu voos diretos de Lagos para Washington, D.F., o que é de importância especial para os fretes aéreos. A Delta Airlines já vem oferecendo o serviço desde 2008 e espera-se que a Continental Airlines comece a oferecê-lo em novembro de 2011.

A governação das rodovias continua a ser uma preocupação para os negócios na Nigéria. A Organização do Corredor Abidjã-Lagos monitora e reporta sobre o desafio que representam os inúmeros postos de controle rodoviário e contribui com os seus dados para os relatórios de assédio nas rodovias do projeto de Promoção do Agronegócio e do Comércio da USAID, da UEMOA e do Centro da USAID para o Comércio.

Postos de controle infestam as rodovias e autoestradas da Nigéria, como pode ser
Postos de controle infestam as rodovias e autoestradas da Nigéria, como pode ser visto neste mapa de dados da Organização do Corredor Abidjã-Lagos.

O renomado otimismo nigeriano – pesquisas de índices internacionais de felicidade mostram que as pessoas do país estão entre as mais felizes do mundo – certamente já foi experimentado, mas o progresso está lhe dando um novo sentido.

A indústria de entretenimento da Nigéria – Nollywood – continua a produzir centenas de filmes por ano que possuem uma grande audiência em toda a região. Até mesmo Vila Sésamo, o popular programa educacional infantil, está voltando com o apoio da USAID. Ele será chamado de Sesame Square Nigeria (Praça Sésamo Nigéria) e mostrará Zobby, um enorme personagem azul felpudo que é motorista de táxi em Lagos e adora comer inhames.

Em setores de exportação não tradicionais, o progresso da Nigéria é igualmente encorajador. O acesso melhorado ao financiamento e uma maior colaboração dos elementos-chave em uma gama de setores está impulsionando o crescimento. Os elementos-chave do carité estão reestruturando a associação nacional do setor e a colaboração de doadores como a GIZ (antigamente conhecida como GTZ, a Cooperação Técnica Alemã), exportadores e o governo estão vendo resultados concretos: novas fábricas, mais empregos e rendas maiores. Os principais elementos-chave também são membros fundadores da Aliança Global do Carité.

“Nós não chegamos lá imediatamente, mas chegaremos lá no final das contas", disse Anjorin, da ACET Nigéria. “Se você quiser comer um elefante, você terá de cortá-lo em pedaços pequenos, não é?”

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