Wednesday, Março 17 2010

Nas recentes Feira Internacional de Presentes de Nova Iorque e na Ambiente, a maior feira de presentes da Europa, a AfricaNow! Apresentou as companhias da África Ocidental a compradores profissionais de várias áreas. Alguns compradores eram de butiques pequenas que pretendiam encher as próprias prateleiras, outros não tinham prateleiras “reais” para encher - eles representavam grandes lojas de catálogos e de páginas na internet – e ainda outros tinham quilômetros de prateleiras para encher em grandes cadeias de lojas espalhadas por todo o país.
“É possível encontrar uma grande variedade de compradores quando você participa de mostras comerciais”, disse Elitza Barzakova, a conselheira de conexão para os negócios do Centro para o Comércio, residente na cidade de Nova Iorque. “Elas são a chave para as exportações bem sucedidas aos mercados internacionais. Estas conexões literalmente significam dinheiro em seu bolso”.
Então, quem é um típico comprador de artesanato e o que ele ou ela está procurando para 2010? As respostas variam, mas felizmente os compradores possuem algumas semelhanças, revela Barzakova.
“Todos eles estão atrás de algo que vá vender bem”, ela disse. “Mas a dificuldade é, vender para quem? Há diferentes segmentos de mercado. Um produto pode significar ouro puro para um comprador, mas não ser de interesse algum para outro”.

“Eu vejo compradores procurando por itens feitos à mão com novos designs”, disse Sunil Shrestha, o gerente da Pangea, a qual vende decorações para o lar e acessórios de moda em Washington, no D.F. “Quando os meus clientes vêem algo novo, o produto some rapidamente das prateleiras. No momento eles querem simplicidade, nada sofisticado.
“Uma das coisas que percebi é que as pessoas também estão procurando por cores mais vibrantes – não cores brilhantes, mas vibrantes – e estas são as cores que estão saindo mais rapidamente”.
Em 2009, a Pangea trabalhou com o Centro para o Comércio para desenvolver uma forma de consolidar os envios de cargas de itens de decorações para o lar e acessórios de moda, melhorando drasticamente a logística dos transportes. A consolidação diminui os custos de transporte e permite que a Pangea repasse este custo menor a seus clientes.
Leslie Mittelberg, proprietária e fundadora da Swahili Imports, viu os clientes procurarem por algo diferente.
“As pessoas querem itens que não sejam muito enfeitados, que sejam simples, é isto que estamos descobrindo”, disse Mittelberg em Dacar, onde estava visitando artistas e mercados. “Os objetos que simplesmente são brancos estão muito populares”.
“No passado nós definitivamente queríamos os tons marrons e terra, modelos americanos nativos como podem ser vistos em uma cesta. Agora estou atrás de linhas simples. Eu não sei o que isto diz sobre a nossa economia ou público”.
Conseguir produtos que podem ser vendidos facilmente não é uma tarefa fácil, disse Shrestha.
“Os compradores não só precisam estar atualizados com as tendências atuais de mercado e conhecer a sua base de clientes para apresentar produtos novos, mas eles também precisam entender quem está produzindo estes bens feitos à mão, quanto tempo leva para recebê-los e o quão boa é a sua qualidade, entre outras coisas”, ele disse. “Este desafio é verdade tanto para os compradores de pequena quanto para os de larga escala”.
As recessões nas principais economias do mundo não só afetaram os orçamentos dos clientes como também os seus gostos. Como seria de se esperar, agora eles estão procurando por produtos que sejam baratos.
“Preços menores são algo crucial”, disse Mittelberg. “Com a economia dos EUA sofrendo este impacto, as pessoas simplesmente estão mais cuidadosas na forma com que gastam as suas rendas disponíveis”.
Ao mesmo tempo, as pessoas querem algo diferente e interessante, disse Shrestha.
“Quando as pessoas vêem algum produto novo, ele vende rapidamente”, ele disse.
O design bom, então, é crucial e o acabamento manual de alta qualidade é importante.
“A qualidade e o design dos produtos disponíveis através do AfricaNow! continua a melhorar”, disse Tim Kunin, Diretor Executivo da The Greater Good Network. “Ter um só lugar para comprar produtos de toda a África é uma grande ajuda. A concepção de produtos bonitos com grandes organizações de todo o mundo é o que faz este trabalho ser tão especial”.
Produtos novos e interessantes são importantes para varejistas e atacadistas, disse Shrestha. Para os varejistas, os novos produtos atraem e mantêm o interesse dos clientes.
“Enquanto você conseguir manter o nível de interesse dos seus clientes ao apresentar freqüentemente novos produtos e novos designs, as suas vendas se manterão estáveis”, ele disse. “No caso dos atacadistas, não é fácil para os compradores de eles digerirem milhares de produtos feitos à mão de centenas de grupos em dois a três dias. Então, se você estiver vendendo aos compradores através de mostras de presentes, você sempre tem o desejo de levar alguns produtos novos para o seu estande”.

Comprar não é uma ciência, disse Shrestha.
“Algumas vezes o que você imagina que possa ser o melhor produto para vender pode se tornar o menos vendido e aquilo que você imaginava ser o menos vendido pode se tornar um sucesso de vendas”, ele disse. “Sendo assim, não há uma fórmula exata que pode ser usada para fazer as compras”.
O trabalho dos compradores pode significar o sucesso ou o fracasso de uma companhia, disse Mittelberg.
“É uma grande responsabilidade”, ela disse. “É isto que a sua companhia faz – vender produtos. Para ter êxito, nós obviamente temos de comprar e temos de comprar bem – ou a companhia não terá lucros”.
Achar e desenvolver produtos excelentes é a chave e Mittelberg já viaja há mais de uma década para a África Ocidental exatamente para fazer isto. O Centro para o Comércio ajuda os compradores a organizar visitas à região, conectando-os com centenas de produtores em potencial e fazendo de tudo para tornar a visita ser bem sucedida – desde a procura por acomodação, arranjos para viagens até tradução.
“Uma viagem sempre é um pouco agitada, mas é muito produtiva”, ela disse. “Você consegue fazer muitas coisas. Sempre me ajuda a desenvolver uma linha inteira de produtos”.
Mittelberg passa cerca de duas semanas em cada país quando ela visita a região.
“Para ter qualquer tipo de compras em longo prazo, você precisa ter uma relação com o artesão”, ela diz. “Você os visita em suas oficinas e aprende a ver o que fazem no dia-a-dia, quais são as suas dificuldades. Você também pode fazer o design em conjunto com eles.
“Para mim, sempre se trata de design e de revigorar um produto”, ela continua. “É isto o que os meus clientes querem. Se você não fizer uma viagem de compras, então você sempre só verá os mesmos itens”.
A comunicação entre os artesãos e os compradores é essencial – a comunicação mal feita é muitas vezes a raiz de relações estragadas entre o comprador e o produtor, ela diz.
“A comunicação é realmente uma parte grande”, ela diz. “Se as coisas não estão indo bem, conte-me. Esperar até o dia marcado para o envio para contar-me que um pedido não pôde ser completado não é uma boa idéia. Os produtores deveriam comunicar semanalmente a situação dos pedidos”.
A manutenção da alta qualidade e a entrega pontual também são muito importantes para a consolidação de bons negócios, ela acrescentou.
Haja recessão ou não, as pessoas querem comprar os objetos requintados e autênticos feitos à mão na África Ocidental, disse Elaine Bellezza, a conselheira de decorações para o lar e acessórios de moda do Centro para o Comércio.
Bellezza trabalha com artesãos de toda a região para desenvolver novos produtos.
“Os produtores na África Ocidental estariam errados se pensassem que uma recessão significa que ninguém comprará”, ela disse. “As pessoas não devem esquecer que os compradores ainda têm de encher as suas prateleiras”.
Nas mostras comerciais recentes foi exatamente isto que eles estavam fazendo.
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